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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Partiu El Pibe, o génio do futebol

Morreu Diego Armando Maradona

Dia triste e marcante este 25 de novembro do famigerado ano de 2020. O pior ano dos últimos cem, que teima em não terminar...

Tive a felicidade de ver o que foi possível do seu futebol, em tempos em que o mediatismo não era o mesmo de agora, em que tudo fica registado. Lembro os tempos dos confrontos com o Sporting, da aposta com Ivkovic, dos aquecimentos com toda a sua descontração, das vitórias em Nápoles, do momento de ser campeão do Mundo. Depois começaram os seus comportamentos desviantes e até cheguei a dizer que deveria ter sido o único jogador do futebol mundial a ser autorizado a jogar mesmo acusando substâncias ilícitas, tal era o prazer que nos dava vê-lo jogar.

São inevitáveis as comparações entre os quatro jogadores que mais marcaram o futebol mundial. A minha escolha é Diego "El Pibe" Armando Maradona o número #1! E é-o porque é o único que considerei GENIAL. Da sua genialidade, irreverência e suprema qualidade saíram das mais fantásticas jogadas do futebol mundial que muitos recordam, por serem inesquecíveis. 

Então, porque não escolho Messi, que também finta como ninguém? Porque, apesar de ser um predestinado, lhe falta a irreverência do menino de rua, porque lhe falta a capacidade de desaforo ao adversário que chegou a levar Goikoetxea a partir-lhe uma perna quando estava no Barcelona ou porque lhe falta carregar a sua seleção como o fez Diego. Acresce a isto que nunca conseguimos ver Messi sem um Barcelona montado há muitos anos em seu redor e isso não permite perceber se fora da Catalunha conseguiria carregar uma equipa. Para além disso e apesar das suas qualidades inatas, não é um génio!

E o nosso Ronaldo? É, sem dúvida, o melhor jogador mundial dos últimos 15 anos, mas nunca foi um génio. Baseou toda a sua qualidade no seu trabalho, nas muitas horas de treino físico, de treino com bola, de dedicação ao futebol. Nunca teve medo de assumir e fê-lo cedo no Sporting, onde menino, queria marcar e fazia por isso, elevou o Machester, ganhou muito no Real e continua a fazê-lo na Juventus. Assumiu a responsabilidade de ser líder nos três campeonatos mais fortes do Mundo e conseguiu. Bateu recordes, continua a bater, está em plena forma aos 35 anos, saltando mais alto, correndo mais rápido, chutando mais forte e marcando mais que quase todos os outros. Mas, não é um génio!

Uma palavra para Pelé, que terá sempre o seu lugar nas história, mas numa história muito menos mediatizada e muito menos globalizada, que não o favoreceu mas que não apaga a sua importância no futebol mundial.

Por fim as curiosidades da morte. El Pibe foi um grande admirador, seguidor e amigo de Fidel Castro. Quis a história que ficassem unidos pela data da partida deste Mundo, no mesmo dia, com quatro anos de distância que pode ter sido uma coincidência, ou talvez não... Foi também neste dia que partiu outro grande jogador cuja cabeça também o levou por caminhos desviantes mas que também uma marca forte no futebol mundial e que foi George Best.

Ouvia há pouco, na rádio, Victor Hugo Morales a relatar para toda a Argentina no ano de 1986, o melhor golo do século XX e quase me saltava uma lágrima de emoção, por isso e em jeito de homenagem ao Génio, aqui deixo uma das maiores memórias da história do futebol, de um homem que deverá ser sempre lembrado pelo que fez dentro das 4 linhas e que agora espero que possa dar paz à sua alma.




quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A paixão de Diego

Aconteceu o que era esperado. Diego Armando Maradona chegou a seleccionador da Argentina.
Aquele que, para mim, foi o jogador mais espectacular de todos os tempos, sem nunca ter sido treinador a sério, vai directo para a equipa nacional.
A sua vida foi feita de futebol e sabe-a toda, mas será que vai conseguir aquilo que se espera e ter a capacidade de saber colocar a sua equipa de forma sólida a contrariar adversários, também eles muito bem apetrechados e orientados?
Para já parece-me que se vai implementar a paixão. Não há um único argentino que não idolatre Diego, razão pela qual ir à selecção por si orientada trás um brilho adicional ao já habitual orgulho.
Todos sabemos também que ele haje por impulso e as suas convocatórias incidirão muito na sua intuição, mais do que em dados concretos de observação, o que nos vai trazer um novo dado para análise. Será que uma equipa que vai pôr muita paixão em campo, com a inerente qualidade de muitos dos jogadores que tem ao seu dispor, não terá mais chances de vitória?
Todos os anos Maradona apresenta um nome de jogador que acha parecido consigo e que poderá ser o seu sucessor. É claro que não há sucessores de génios! Há novos génios, diferentes, com outras qualidades. Ainda assim, parece que este ano é Di Maria e que já é titular indiscutível.
Esperemos então para ver se a paixão vai ser suficiente para vencer a organização.